28/09/2026
Projeto recebeu uma jaguatirica e um tamanduá-bandeira para cuidados
Neste mês, o Centro Veterinário da PUC Minas Poços de Caldas recebeu para reabilitação um macho de jaguatirica e uma fêmea de tamanduá-bandeira após serem resgatados na região. Atendidos pela equipe do Centro de Estudo e Medicina de Animais Silvestres (Cemas), os pacientes passaram por intervenções clínicas focadas na recuperação integral para a viabilização do retorno aos seus habitats naturais.
O primeiro paciente a dar entrada no Centro foi uma jaguatirica (Leopardus pardalis), vítima de atropelamento no município de Machado (MG). Com um diagnóstico grave de trauma cranioencefálico, o animal foi encaminhado pelo Corpo de Bombeiros, a pedido da prefeitura municipal.
A jaguatirica apresentava quadro de hipotermia e desequilíbrio. Sob sedação, foram identificadas fraturas no osso nasal e frontal, lesão no olho direito e anemia. Após o diagnóstico, a veterinária responsável pelo atendimento iniciou o tratamento enquanto o animal permanecia em observação constante para avaliar o quadro clínico.
A coordenadora do Cemas, Profa. Erika Fruhvald, explicou que o animal será devolvido para a região que foi encontrado assim que a anemia for tratada e explicou que cuidar de animais silvestres é uma experiência muito importante na formação dos estudantes.
O segundo paciente encaminhado pelo Corpo de Bombeiros foi uma fêmea de tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) encontrada em um galpão de café na zona rural de Poços de Caldas. Durante o exame, foi constatado que havia lesões de pele nos membros anteriores, próximos às unhas, limitando o apoio do animal. Após o diagnóstico, o tratamento foi prontamente iniciado com antibióticos e curativos. Com a recuperação concluída, a fêmea recebeu alta no dia 24 de setembro e foi devolvida à natureza, nas proximidades de onde havia sido encontrada.
"Sentimos que há um propósito na profissão, principalmente quando o desfecho é devolver o animal para natureza. Os alunos estão muito felizes com estes casos e se sentem privilegiados de ter essa oportunidade. Ainda, esta espécie está na lista de espécies ameaçadas, portanto torna o trabalho ainda mais valioso", avaliou a professora.
Sobre o Cemas
O Cemas é um centro de estudos do curso de Medicina Veterinária, realiza atendimentos de animais silvestres no Centro Veterinário do Campus e recebe alunos de graduação que atuam nos cuidados de alimentação, manejo, limpeza e medicações de animais silvestres que estão em tratamento.
O projeto já atendeu 91 animais silvestres em 2026, dentre eles, aves, mamíferos e répteis, se tornado referência neste tipo de atendimento perante instituições ambientais, que frequentemente são acionadas para socorrer animais em estradas e áreas rurais. As ocorrências mais recorrentes incluem atropelamentos e interações nocivas com o ser humano ou com animais domésticos.
A Universidade tem se evidenciado por ser um dos poucos espaços habilitados para tratar esses animais na região, atendendo cerca de 20 municípios.
O cuidado com silvestres visa sempre à reinserção dos animais em suas regiões de origem. Quando a plena reabilitação não é possível e não há condições de sobrevida na natureza, eles são enviados a instituições credenciadas. Em caso de ameaça de extinção, muitas vezes, os animais passam a integrar programas de preservação de espécies.
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